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O perigo diante de uma tela

Mesmo desligada, um hacker pode, pela internet, acionar a webcam

A Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), recebe uma média de oito casos por mês envolvendo jovens que caem em armadilhas pela internet, seja com a exibição de fotos e vídeos íntimos ou constrangedores, seja com a criação de perfis falsos e bate-bocas virtuais.

A titular da DRCI, delegada Helen Sardenberg, justifica o baixo número de registros com o medo que as vítimas e seus parentes têm da superexposição.

Na opinião do promotor Luís Otávio Figueira Lopes, da Promotoria de Investigação Penal (PIP), responsável por crimes pela internet, o fato de as pessoas ficarem traumatizadas com a exposição excessiva favorece a subnotificação dos casos e, na maioria das vezes, os crimes não estão previstos em lei. “Quando é possível a tipificação, a resposta penal é pequena se a comparada aos danos”, aponta.

Para a delegada, além da parte criminal, uma das soluções é buscar uma indenização. Gustavo Carreto, agente federal da Delegacia de Defesa Institucional (Delinst), alerta pais e jovens para terem cuidado com a webcam, mesmo desligada. Segundo ele, um hacker pode, pela internet, acioná-la.

[O Globo (RJ), Cláudio Motta e Vera Araújo  – 02/11/2009]

RR: Rota de tráfico de pessoas nunca foi desmontada

Região Norte do País apresenta o maior número de rotas de tráfico. Em seguida vem a região Nordeste, Sudeste, Centro-Oeste e Sul

Dados divulgados pela Pesquisa sobre o Tráfico de Mulheres, Crianças e Adolescentes para Fins de Exploração Sexual (Pestraf), realizada por ONGs a partir de um estudo piloto da Organização dos Estados Americanos (OEA) mostram que, desde 2002, Roraima sempre aparece nas 145 rotas de exploração infantil e de adolescentes, nacionais e internacionais. Conforme o relatório da Pestraf, a região Norte do País apresenta o maior número de rotas (76), seguida da região Nordeste (69), Sudeste (35), Centro-Oeste (33) e Sul (28).

A Espanha é o principal destino, com 32 rotas identificadas seguida da Holanda (onze rotas), Venezuela (com dez) e Itália (nove rotas). Quem abastece as dez rotas venezuelanas é Roraima. De lá, muitas mulheres conseguem seguir para a Europa.

Desde 2002, uma das principais rotas identificadas na região Norte. Meninas de doze a 17 anos eram aliciadas em Manaus e levadas para Boa Vista com promessas de emprego de garçonete ou para fazer programas com custo inicial de R$ 100,00. Depois eram levadas para boates da Venezuela e da Guiana, onde o programa ultrapassaria o valor de US$ 300.

Atualmente – As adolescentes trazidas de Manaus e Boa Vista atravessam a fronteira de táxi até Santa Elena do Uiarén, pela Transmoambeira, uma estrada de terra que passa por trás dos postos de fiscalização da Receita Federal, da Polícia Federal e do Ministério da Agricultura.

As garotas passam uma temporada em boates de Santa Elena e depois seguem de ônibus e em pequenos aviões para os balneários do Caribe e para as cidades garimpeiras e industriais da Venezuela. Na fronteira, de maneira informal, todos sabem desse grande esquema, inclusive de valores. Cada menina custa, em média, R$ 1.500,00, podendo chegar a mais se tiver menos de 18 anos e sem experiência no mercado do sexo.

[Folha de Boa Vista (RR) – 29/10/2009]

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